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Arquivos da Categoria: Outros esportes

Com tantos dirigentes no futebol paraense que adoram fazer promessas mirabolantes e dirigir os clubes através de impulsos iguais aos de alguém que briga no trânsito ou no bar, me vem a pergunta. E se colocássemos uma mulher para comandar os clubes locais? O Vênus resolveu fazer isso.

Para quem já esqueceu, o Vênus é aquele clube de Abaetetuba, de camisa azul e branca, que revelou Wellington Saci. Em 2007, o clube foi rebaixado para a Segundinha, mas somente em 2009, resolveu voltar. E agora, se tornou o primeiro clube a ter uma mulher como presidente. Dona Elis Bentes é quem manda agora.

Professora aposentada, Dona Elis chegou a Abaeté vinda de Tucuruí, há 40 anos atrás. Se apaixonou pelo Vênus e sempre estava nos jogos. O então presidente, resolveu então convidá-la para fazer parte da diretoria. A professora topou e se tornou diretora financeira. E em maio deste ano, virou presidente.

Dona de fala mansa, estatura baixa, Dona Elis não gosta muito de entrevistas. Eu e o cinegrafista André do Vale conseguimos convence-la a falar. Dona Elis confessa que não sabe montar um elenco, mas é boa para gerir um clube. “Pra comandar o futebol, eu tenho um diretor”, disse ela, colocando cada um no seu quadrado.

Infelizmente, o Vênus é candidato a ficar logo na Primeira Fase da Segundinha. Abaeté e Cametá, os adversários do Grupo B, estão treinando há mais tempo e começaram a se preparar antes. Mas isso, não será culpa de Dona Elis. O clube vem sofrendo há vários anos com a falta de recursos, algo comum no interior do Pará e que atinge todos os clubes fora de Belém que encaram esta aventura do profissionalismo.

Mas de qualquer forma, Dona Elis já mostrou que com seu estilo calmo e centrado, pode quem sabe, levar o Vênus mais longe a longo prazo. Um estilo que anda em falta nos clubes locais.

Para quem vive nas classes mais baixas, o esporte muitas vezes é uma das poucas saídas para uma vida melhor. Pobre do Brasil, que ainda não percebeu isso. Enquanto se gasta milhões em dinheiro com mega-arenas e com uma candidatura fadada ao fracasso como a do Rio para as Olimpíadas, as escolas permanecem com espaços de lazer sucateados. É da quantidade que se consegue qualidade. Enquanto as autoridades não compreenderem isso, o papo de transformar o Brasil em potência olímpica do senhor Carlos Arthur Nuzman é pura conversa pra boi dormir.

A chance de uma vida melhor através do esporte foi dada por uma empresa de energia elétrica. Onze paraenses, sendo seis de Belém, três de Tucuruí e dois de Marabá, foram escolhidos para integrar uma equipe de atletismo em Bragança Paulista, onde durante um ano, receberão uma ajuda de custo, estudo e a chance de conviverem com nome de peso do atletismo como Vicente Lenílson, André Domingues e Maureen Maggi.

Entre os escolhidos, gente como Luis Wanderley. O garoto de poucas palavras e gestos contidos poderia ter seguido o caminho das drogas e da criminalidade, traçado por vários amigos dele. Preferiu seguir a tia nas corridas pelo bairro do Bengui, um dos mais pobres de Belém. Na “terra da lingüiça” ainda vai estar Ana Carolina Oliveira. Desde os 10 anos, ela botou na cabeça que seria atleta. E agora, pode conseguir. Duas estórias que mostram como se faz um campeão no Brasil: pela exclusivo esforço individual e as vezes, ajuda de uma ou outra empresa. A tal política para o desenvolvimento do esporte que ouço falar desde que era um garoto jogando bola e andando de carrinho de rolimã em Mogi Guaçu nunca saiu do papel. O resultado é que nos enganamos a cada olimpíada. Nos destacamos no iatismo, onde as conquistas são alcançadas graças ao alto poder aquisitivo dos competidores. Na natação, Gustavo Borges, César Cielo e Fernando Scherer chegaram ao alto nível porque foram para os Estados Unidos, onde faculdade é formadora de profissionais e não fábrica de diploma, como a maioria das instituições brasileiras. Já o judô, existem casos que ultrapassam as fronteiras do absurdo como o de Rogério Sampaio, campeão em Barcelona-92 com um kimono emprestado por um aluno. E como esquecer da ginástica, onde Diego Hypólito, Daniele Hypólito e Daiane dos Santos conquistam medalhas mesmo sem patrocínio?

Correios, Caixa, BM & F, Banco do Brasil, entre outras grandes empresas, também investem no esporte. Mas o de alto rendimento. O que precisa ficar claro é que enquanto não voltarmos os olhos para Anas e Luises que brotam por todos os cantos deste país, melhor procurarmos um programa melhor na época das Olimpíadas do que ficar na frente da TV torcendo por um milagre. Um campeão não é como o pé de feijão da estória do João. Tem que cuidar.

Quando o atleta brasileiro vence, ainda precisa correr. E o adversário dele é incansável, cheio de energia e ainda bem preparado pelas autoridades brasileiras: a dureza. No Bom Dia Pará desta sexta-feira, falamos da falta de pagamento do Bolsa Talento, um programa criado pelo Governo do Estado em março de 2008. Mas desde dezembro, nenhum dos 115 atletas contemplados pelo benefício viu a cor do dinheiro. Na lista do pessoal com bolso vazio tem até medalhista paraolímpico. Com 16 anos, Alan vai fazendo as descobertas de todo adolescente as portas do mundo adulto. Algumas bem amargas. Assim que desceu do pódio de Pequim,.percebeu que o reconhecimento pela sua conquista, é baseado essencialmente em cumprimentos e tapinhas nas costas.

Situação pior que a de Alan vive Fabiano Gomes. O corredor de provas de meio-fundo ainda não conseguiu competir neste ano porque o governo não deposita há seis meses os R$ 500 a que tinha direito. Como contemplado do Bolsa Talento, não poderia ter o patrocínio de uma empresa privada, mas sem dinheiro, foi buscar apoio de uma empresa da cidade natal, Jacundá, no sudeste do Estado.

O Secretário de Esporte e Lazer, Alberto Leão, disse que o pagamento foi suspenso por um problema de interpretação. Segundo ele, havia a dúvida se o benefício deveria continuar a ser pago, já que os atletas premiados foram escolhidos com o resultado em 2007. Seis meses se passaram (SEIS MESES!) e o Estado chegou a conclusão que deve pagar mesmo.

Nessas horas, sou obrigado a concordar com Miguel Sampaio, presidente da Federação Paraense de Handebol. “O atleta amador é aquele que AMA A DOR”

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