Pegue um campeão de Copa do Brasil, um vice-campeão de competição sul-americana e com 16 ex-integrantes da Série A. Parece bom? Então, saudações a quem tem coragem de acompanhar a Série D do Campeonato Brasileiro, que começa neste final de semana.
Em campo, 39 clubes de todos os estados, exceto o Acre. Nenhum clube acreano quis entrar na disputa. Aliás, clube rejeitando a competição foi algo que não faltou. Enquanto conta os milhões que ganha com patrocinadores, a CBF, entidade que deveria incentivar o futebol, fez de tudo para sabotar a competição. Negou qualquer ajuda aos participantes e ainda por cima, fez um regulamento esdrúxulo.
Os times foram divididos em 10 grupos, com quatro clubes, exceto o Grupo 1, com apenas três. Somente o campeão de cada chave avança e os vencedores se enfrentam em um mata-mata, método que será empregado até o fim. Aí vem “a grande sacada” da CBF. Como vai ser a disputa com cinco clubes? A entidade decidiu então que os três melhores eliminados seguem na competição. Ou seja, ganham uma vida-extra. É a vida real copiando o vídeo-game. Os quatro clubes que depois avançarem, já podem comemorar. Estão na Série C de 2010.
Veja os grupos
GRUPO A1 (GENUS-RO, RORAIMA-RR, NACIONAL-AM)
Sem dúvida, é o trio que mais tem motivo para chamar a CBF de madrasta. Aqui, quase todos os deslocamentos são aéreos. E dos três estados, dois estão na rabeira da riqueza do futebol brasileiro. Por isso, o Gênus entra em campo com um time formados por jogadores genuinamente caseiros, comandado por Nilo Neves, lateral do Internacional nos anos 60 e 70. O Atlético Roraima foi mais ousado e buscou jogadores no interior de SP e no vizinho Amazonas. Tanto reforço deu ao técnico Marcos Bruno uma difícil missão. Dar entrosamento em menos de 10 dias ao seu elenco. A estrela do clube seria o presidente, Carlos Alberto Torres. Mas este, não é o capitão do Tri, e sim um ex-jogador de clubes como River e Nacional-AM, um dos rivais do Tricolor da Mecejana
Já o Nacional-AM, comandado pelo ex-meio-campo da Ponte Preta, Wanderley Paiva, tem Sandro Goiano, que não é o volante e sim um atacante vindo do Araguaína. Ao lado dele, Kitó, que ficou famoso pelo gol “a la Maradona” marcado no Amazonense deste ano.
GRUPO A2 (Cristal-AP, Moto Club-MA,São Raimundo-PA e Tocantins-TO)
Neste grupo, estão dois rebaixados nos seus estaduais (Moto Club e Tocantins). E como não poderia ser diferente, entram reformulados na Série D. E como se não bastasse isso, três times estréiam com novos técnicos.
Ás vésperas da estréia contra o Cristal, o Tocantins-TO, novo integrante da Segundona de Tocantins, perdeu o técnico Nélio Pereira, que comandou o Tiradentes na Primeira Fase do Parazão. O superintendente Jair da Silva é quem vai comandar o time, que tem no ataque, o ex-remista Léo Oliveira, além do zagueiro Flávio, conhecido no Pará pelo fortíssimo chute de esquerda.
O Cristal também anda com problemas. Depois da derrota em amistoso para o Remo, o técnico Gebran Zogbi foi demitido. O preparador de goleiros, Luís Carlos, é quem por enquanto, comanda o time, que deve ser assumido pelo supervisor do Paysandu, Charles Guerreiro.
Os rivais passaram por mudanças no comando e o São Raimundo, não é exceção. O vice-campeão paraense agora é comandado por Artur Oliveira, que substitui Valter Lima, agora no Paysandu. Artur começa no Pantera com a missão de encontrar um novo maestro, já que Michel, vai fazer companhia a Valter Lima no Papão após a partida deste domingo.
Só quem está estável com um comandante é o Moto Clube, que está com Abel Ribeiro, treinador com experiência no futebol do sul. O Papão maranhense, porém, entra sob a responsabilidade de apagar da memória da torcida o rebaixamento no Maranhense.
GRUPO A3 (Treze-PB, Alecrim-RN, Ferroviário-CE e Flamengo-PI)
Lembram do Rosembrick? O meia revelado no Santa Cruz chegou até ao Palmeiras. Mas no Verdão, o homônimo do ex-jogador da Seleção Holandesa não mostrou tanta bola assim e agora, é o principal reforço do Treze-PB. No ataque, o veterano Gauchinho, que enfrentou o Paysandu no ano passado vestindo a camisa do Luverdense.
O Alecrim, uma espécie de Tuna do futebol potiguar, também tem sua estrela no ataque. O experiente Maurício Pantera com passagens por inúmeros clubes do Nordeste. Para atrair torcedores mais jovens durante a campanha na Série D, o clube chegou até a promover show de rock. Quem também está no Alecrim é Barata, rebaixado com o Fluminense em 1996.
A Tuna cearense é o Ferroviário-CE, que teria como destaque, Jardel. Mas “Super Mário”, como ficou conhecido em Portugal, deixou o clube que o revelou. E o técnico Gilmar Silva conta basicamente com jogadores locais. Entre eles, o meia Junior Cearense, ex-Fortaleza.
A estrela do Flamengo-PI está no banco. O gaúcho Paulo Moroni, bi-campeão piauiense pelo rubro-negro, voltou para dirigir o clube novamente
GRUPO A4 (CSA-AL, Central-PE, Santa Cruz-PE e Sergipe-SE)
Ninguém entra nesta Série D com tanto peso nas costas quanto o Santa Cruz-PE. Os paraenses adoram exaltar o fanatismo das torcidas de Remo e Paysandu. Mas o só o Santa mesmo consegue lotar o estádio para uma simples troca de gramado. Mas assim como os adversários, o Santa não mexeu muito nos cofres. Para manter os pés no chão, o clube demitiu o técnico Márcio Bittencourt, que não aceitou reduzir o salário e foi substituído por Sérgio China, ex-jogador do clube nos anos 80 e 90. Entre os principais nomes do time, estão Marcos Tamandaré, lateral revelado no rival Sport e que já passou pelo Corinthians, e o atacante Reinaldo, campeão paraense pelo Paysandu.
Na missão de impedir o Santa de seguir na Série D, o Central-PE, tem um elenco formado essencialmente por jogadores locais e estados vizinhos. O “homem-gol” é Bibi, ex-Sport.
Apesar de toda a tradição, o CSA-AL só está na Série D pela desistência de todos os clubes do Estado. Porque no Alagoanão, o time da família Collor foi simplesmente rebaixado. O vice-campeão da Copa Conmebol trouxe da Paraíba o técnico Freitas Nascimento, um dos responsáveis pelo acesso do Campinense-PB a Série B. O jogador mais conhecido é o zagueiro Thiago Messias, ex-Palmeiras. No ataque, o paraense Junior Amorim é a esperança.
Considerado azarão nesta disputa, o Sergipe fez investimentos modestos. O time tem um “craque argentino” no ataque. Só resta saber se Kemps joga tanto quanto o homônimo.
GRUPO A5 (Atlético-BA, Fluminense-BA, Rio Branco-ES e Macaé-RJ)
Para quem não sabe, o Atlético-BA é de Alagoinhas, terra de Charles Fabian, atacante campeão brasileiro com o Bahia em 1988, e que no auge da carreira, foi levado para o Boca Juniors por ninguém menos que Diego Maradona. Alagoinhas volta agora ao cenário nacional, agora com um clube em uma competição nacional. Quase todos os jogadores são desconhecidos do grande público, sob o comando do técnico Ferreira, que estava no Feirense, também da Bahia.
O Fluminense de Feira de Santana também não foi muito longe na hora de buscar reforços. Grande parte do elenco é formado por destaques de clubes do interior no Baianão deste ano, como o atacante Ricardinho, um dos principais artilheiros do estadual pelo Feirense. Quem comanda o time é Zanata, ex-ídolo de Flamengo, Bahia e Atlético-MG e que agora, tem sua primeira experiência como técnico.
Em sua primeira experiência na Série D, o Macaé resolveu se reforçar com jogadores experientes. No elenco, estão nomes como o goleiro Lugão, campeão da Taça Guanabara de 2005 pelo Volta Redonda. O lateral Bill, que já passou pelo Botafogo e o ex-Fluminense Marciel. O técnico é Toninho Andrade, figura carimbada do interior do Rio.
Dono da maior torcida do Espírito Santo, o Rio Branco-ES tem um rei: Marcelo Pelé. Mas a única semelhança dele com Edson Arantes do Nascimento é o apelido mesmo. A carreira de Marcelo é restrita ao Espírito Santo e a pequenos clubes mineiros. O nome mais conhecido do clube está no banco: o preparador de goleiros Hiran, que vestiu a camisa 1 de Ponte Preta e Guarani. Nos dois clubes, ficou conhecidos pelas defesas e pelo jeito excêntrico.
GRUPO A6 (Tupi-MG, Friburguense-RJ, Paulista-SP e Madureira-RJ)
Há quatro anos atrás, o Paulista conquistava a Copa do Brasil. Mas de lá pra cá, administrações desastrosas levaram clube ao rebaixamento para a Série C e depois para a D. Para repetir as glórias do passado, o Galo da Japi voltou as origens e trouxe um velho ídolo. O atacante João Paulo, que já disputou a Série A, pelo Juventude, está de volta. Ao lado dele, vários atletas das categorias de base e dois campeões da Copa do Brasil em 2005. Julinho e Lucas não deixaram saudade no Remo, mas em Jundiaí, eles são respeitados. Gosto não se discute né?
O Madureira fez o mesmo caminho que vários adversários na Série D: foi bater na porta dos vizinhos para se reforçar. E sonhando em repetir o exemplo do Duque de Caxias, contratou o técnico Antônio Carlos Roy, o rei do acesso no Rio.
Natural de Nova Friburgo, um dos points preferidos dos ricaços cariocas que gostam de passar frio, o Friburguense confia no técnico Cleimar Carvalho e na experiência do goleiro Adriano. Aos 40 anos, o ex-rubro negro parece não querer parar tão cedo.
No Tupi, o clube encara a Série D com juventude até no comando. Leo Conde, de apenas 31 anos, é o treinador Carijó.
GRUPO A7 (Uberaba-MG, Uberlândia-MG, Mirassol-SP e Ituano-SP)
Parece dupla sertaneja, mas Uberaba e Uberlândia não se misturam muito. Como cidades, rivalizam pela primazia de serem a “capital” do Triângulo Mineiro. No futebol, não é diferente. Na hora de se reforçarem, os dois times escolheram caminhos semelhantes: atletas do interior de SP e MG. O Uberlândia trouxe para o meio-campo Leonardo Salino, irmão gêmeo do ex-Flamengo, Leandro Salino. Já o Uberaba, contratou o lateral Filipe Souza, revelação do Santos, emprestado pelo Peixe para ganhar experiência.
No Mirassol, um ex-remista é quem dá as cartas. Luis Carlos Martins é quem comanda o Leão. Perto do ponta-pé inicial, Martins ganhou o reforço do zagueiro Gustavo. Com apenas 19 anos, o jogador chamou a atenção do Inter. Gustavo chegou a ir por empréstimo para o clube gaúcho, mas decidiu voltar depois que descobriu que só jogaria pelo time B.
O Ituano seguiu o caminho contrário da maioria e trouxe atletas experientes. O goleiro Pitarelli é um deles, além do zagueriro Picon, revelado no São Paulo. Quem também se destaca é o homem responsável pelas contratações. O ex-meia Juninho Paulista, campeão do mundo pelo São Paulo e pela Seleção, assumiu as rédeas do clube que o revelou.
GRUPO A8 (Brasília-DF, CRAC-GO, Anapolina-GO e Araguaia-MT)
O Grupo 8 mostra como o futebol dá voltas. Basta olhar para a lateral do Anapolina, onde Russo, que até passou pela Seleção Brasileira, é o principal nome. Se você ainda não se convenceu, então dê uma espiadinha no meio-campo do Brasília, de Wellington Dias, a estrela do Brasiliense na campanha do vice-campeonato da Copa do Brasil de 2002.
O Crac é comandado pelo ex-zagueiro do Marília, Wladimir Araújo e no ataque, Marcelo Peabiru, que passou pelo Santos sem deixar saudade. Em sua primeira aparição no futebol nacional, o Araguaia conta com o treinador Marcos Birigui, experiente no futebol matogrossense e considerado um dos maiores goleiros da história do Santa Cruz. Na antiga posição de Birigui, está um dos jogadores mais experientes do elenco. Flávio Gomes, que atuou por várias vezes na Série B defendendo o gol do São Raimundo-AM
GRUPO A9 (Naviraiense-MS, Londrina-PR, Chapecoense-SC, Ypiranga-RS)
Senhoras e Senhores, apresento o Naviraiense. Vindo de Naviraí, interior do Mato Grosso do Sul, próximo a divisa com o Paraná, o Naviraiense mostra, junto com Cene e Ivinhema, que a força do futebol pantaneiro está agora, distante de Campo Grande. O debutante Naviraiense tem um comando que não é tão novo assim. Itamar Bernardes, um verdadeiro cigano do futebol paranaense.
A vida do “Jacaré do Cone Sul”, não deve ser fácil. O Londrina quer voltar aos velhos tempos, quando chegou a Primeira Divisão. Os maiores adversário do Tubarão nos últimos meses, estavam fora de campo. O clube foi rebaixado no Paranaense. E no mês de junho, houve greve devido a falta de salários.
Para a Chapecoense, o trunfo é o caldeirão do estádio Índio Condá, temido pelos grandes clubes do estado. Na zaga, um nome muito familiar para os torcedores azulinos: o zagueiro Anelka, ex-Remo, Castanhal e Pinheirense.
De Erechim, norte gaúcho, o Ypiranga é mais um que entrou de última hora, devido a desistências de outros clubes. O técnico Tonho Gil conta com o zagueiro Augusto, que conquistou o acesso com o Guarani para a Série B em 2008, e o atacante Sharlei, destaque do Brasil de Pelotas na Série C.
GRUPO A10 (Corinthians-PR, Pelotas-RS, São José-RS e Brusque-SC)
Da união das famílias Malucelli e Trombini, nasceu o Malutrom. Aquele que seria uma pedra no sapato do trio de ferro paranaense. Os Trombini deixaram o negócio e o presidente Juarez Malucelli então rebatizou o time de J.Malucelli. Com este nome, ficaria difícil conseguir torcedores e então, Juarez resolveu dar o pulo do gato. Fez uma parceria com o Corinthians e então, criou a versão paranaense do Timão, que fará agora, sua primeira competição oficial. O elenco é basicamente formado por jovens atletas, que se mostrarem futebol, podem ir para o Corinthians Paulista, como já aconteceu com o volante Jucilei, que por isso, está fora da Série D.
O primeiro adversário do Timão Genérico será o Pelotas, que trouxe de volta ao Rio Grande do Sul, o meia Maicon Sapucaia, campeão da Série C pelo Guarani e tem no ataque o experiente Dauri, com passagem pelo Botafogo.
Auto-intitulado, o “clube mais simpático do Rio Grande do Sul”, o São José teve uma baixa há uma semana do início da Série D. O técnico Itamar Schulle foi embora e André Luis, um velho conhecido da torcida do Zequinha.
No Brusque, o clube quer tentar buscar “na força” o acesso. Do Mato Grosso, trouxe o atacante Gil, de 1,90